Fonte: Motor Curiosidade
Analogias são uma maneira poderosa de explicar algum conceito: parte-se de um principio já conhecido e estabelecido para tentar explicar ou mesmo formar um outro. Tome como exemplo explicar uma escala baseada em outra (“se X é um fusca, então Y é uma ferrari”): o conhecimento prévio sobre um fusca e uma ferrari é transportado para X e Y, seja lá o que forem. Mas, apesar de analogias serem usadas como uma ferramenta poderosa para dar explicações, algumas podem apenas direcionar para concepções erradas e por vezes desastrosas. Em desenvolvimento de software não faltam analogias. Desenvolver software é como construir prédios; é como criar uma linha de produção; é como fazer um filme e tantas outras que não chegaram a ganhar algum destaque.
Embora algumas analogias pareçam completamente razoáveis, sequer chegam perto do que é realmente desenvolver software. Não é como construir casas. Derrubar e repintar paredes é, por vezes, trivial em software, mas não é quando se trata de cimento e tijolos de verdade. Começar de cima para baixo não é razoável quando se constrói casas, mas pode ser quando se desenvolve software. Não é como uma linha de produção porque não existem, nos bons projetos de software, divisões tão fortes e distintas separando cada uma das fases. Por fim, não deveria ser como fazer filmes já que estouros de tempo e orçamento não são bem vistos e eu nem preciso de uma analogia para explicar isso. Mas existe uma analogia que eu considero certeira: Desenvolver Software é Como Dirigir. Ela foi feita por Kent Beck no eXtreme Programming Explained: “Driving is not about getting the car going in the right direction. Driving is about constantly paying attetion, make a little correction this way, a little correction that way”. No livro esse trecho é usado para dar uma idéia a respeito XP, algo sobre não criar planos impossíveis de serem seguidos por resistirem às mudanças. É sobre como é mais sensato pensar onde se quer chegar e reagir de acordo durante o caminho, da mesma maneira como é dirigir: você pensa onde quer chegar, pensa nos caminhos e reage a engarrafamentos, acidentes, semáforos, buracos e pedestres.
Só que nós podemos levar essa analogia um pouco além.
Uma porção de motoristas, a maior parte que eu conheço, para falar a verdade, tem algum seguro contra acidentes ou roubo. Seguro é uma maneira que os motoristas encontraram para se proteger quando algo extremo acontece – caso de um acidente ou roubo. Mas não são os únicos mecanismos já que temos air bags, cintos de segurança, freios de ultima geração, e mais uma porção de acessórios prontos para nos ajudar nesses casos extremos. Entretanto, bons motoristas sabem que nem seguro e nem acessórios são itens melhores do que direção defensiva. Você não acelera mais do que o necessário porque existem limites de velocidade, não ignora sinais vermelhos, se mantém atento quanto aos outros carros para ficar a uma distância considerada segura. E isso o tempo todo, afinal é melhor ser cuidadoso do que experimentar os air bags. Acidentes causam muitos danos: lesões físicas, traumas, falta de confiança – para esta última, basta perceber como a maior parte dos clientes encara com desconfiança os projetos de software.
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